Como é organizada a matriz energética do Brasil
Os recursos naturais podem ser divididos em 4 grupos: biológicos, hídricos, energéticos e minerais. Os biológicos referem aos recursos vegetais e animais que encontramos na superfície terrestre e utilizamos para diversos fins como alimentação, medicina, vestuários etc. Os minerais são recursos não renováveis relacionados a formações geológicas, como o ferro, grafite, ouro, argila etc. Os hídricos são todos os recursos ligado às águas como rios, lagos, aquíferos e mares. Por fim, os energéticos são os relacionados ao fornecimento de energia como petróleo e combustíveis fósseis. O nosso país é muito rico em recursos: temos 12% de toda a água superficial do mundo, temos grandes reservas de petróleo como o pre-sal e somos um dos maiores produtores de bauxita e a 5ª maior reserva de minério de ferro do mundo, apenas para citar alguns.
Com toda essa disponibilidade de recursos, em especial hídricos, no Brasil, a geração de energia através das usinas hidrelétricas corresponde a mais de 64% da matriz energética nacional, as quais utilizam a força da água para produzir energia elétrica. Assim, são construídas barragens em rios para represar essa água e formar um reservatório, transformando a energia potencial da água em energia mecânica das turbinas e por fim em energia elétrica nos geradores.
Em seguida, representando 27% da matriz energética do país, vêm as usinas termelétricas, as quais são operadas através do aquecimento da água com a queima de combustíveis fósseis como gás natural, carvão e alguns derivados do petróleo. Esse tipo de energia não é renovável, pois esses insumos são limitados.
Em contrapartida, o Brasil também utiliza a energia eólica, que é considerada 100% limpa e renovável, representando 7% de toda a energia gerada no país. Essa energia é concebida através do potencial do vento, utilizando turbinas que giram e o impulsionam para gerar energia.
Existe ainda a energia gerada a partir de usinas nucleares e a energia solar, que são pouco representativas no Brasil, pois são fontes mais caras. Apesar de a incisão solar ser de graça, a energia solar possui um valor extremamente alto por conta dos altos custos dos materiais utilizados na placa solar, da sua eficiência que vai depender do tamanho da localidade e do consumo de energia necessário, além dos gastos relacionados a instalação e manutenção.

A situação brasileira
O Brasil possui um grande potencial de geração de energia hidrelétrica, porém é um sistema muito vulnerável devido as questões climáticas do país que variam muito durante o ano. Passamos por épocas de chuvas extremas que, apesar de ajudarem no abastecimento dos reservatórios, acabam gerando outros problemas como é o caso das enchentes que afetam toda a questão social do país. Em estiagens o problema fica ainda mais difícil, visto que o nível dos reservatórios pode atingir níveis abaixo do necessário para abastecer a população.
No ano passado, passamos por um cenário crítico em relação à escassez hídrica, o que fez com que os reservatórios permanecessem com níveis abaixo do ideal e as companhias de energia declararem bandeira vermelha, ocasionando no aumento do preço da energia elétrica. As bandeiras tarifárias são classificadas pelas cores vermelha, verde e amarela e são definidas a cada mês, indicando se haverá ou não acréscimos nas contas de luz. A cor verde não possui custo adicional no valor da energia elétrica, pois a situação está favorável. A cor amarela acrescenta R$2,92 a cada 100kWh consumidos e na vermelha a energia elétrica sofre acréscimos de R$6,23 a R$9,30. No final de 2021, a Aneel criou uma bandeira preta, que representa situações ainda mais complicadas e desfavoráveis que as anteriores e apresenta acréscimos de até R$14,00 a cada 100kWh nas contas.
No Nordeste do país a seca tende a continuar, porém, isso deve resultar no aumento dos ventos na região, que é responsável pelos principais parques eólicos do Brasil, o que auxilia um pouco na questão da falta de água na região.
No final de 2020, a Agência Nacional de Energia Elétrica voltou a utilizar as bandeiras tarifárias, que tem como principal objetivo acionar o uso das usinas térmicas, que tem um custo de produção maior que as hidrelétricas. As causas desse aumento são relacionadas as mudanças climáticas e ao aumento do preço do petróleo, gás e carvão para a queima das termelétricas.
A tendência é que as chuvas diminuam sua frequência a partir do mês de abril e voltem apenas em outubro. Em 2022 tivemos um início de ano muito chuvoso, mas as previsões são de secas até o final do ano. Por isso, o setor elétrico tem se preocupado com a crise hídrica, visto que, com a falta de água, o governo tem se utilizado da geração térmica que é mais cara e altera as tarifas de energia.
Em documentos oficiais da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) é previsto um aumento superior a 20% em 2022 nos preços da energia elétrica, impactando diretamente na inflação e no bolso do cidadão.
O custo da geração de energia é composto por uma série de componentes além do cenário hidrológico do país, como o câmbio e o preço dos combustíveis. O conflito entre a Rússia e a Ucrânia influencia nesses acréscimos, já que a Rússia é um grande exportador de petróleo e gás. Assim, o custo dos combustíveis sofreu um aumento por conta da guerra e influenciará o mercado global que importava esses produtos, em especial da Rússia. Para entender melhor como o conflito entre os dois países pode influenciar nos preços de diversas matérias-primas e afetar diretamente o seu negócio, leia em nosso blog um artigo que explica toda a situação e suas consequências para o mercado global: Clique aqui!
Para reduzir os riscos em um país muito dependente das usinas hidrelétricas, é necessário pensar em alternativas para superar as crises hídricas que ocorrem todo ano, de preferência possibilidades que sejam mais sustentáveis e econômicas. É fundamental que, além de driblar esses problemas momentaneamente, haja investimentos em soluções a longo prazo. Para as indústrias, a crise energética provoca incertezas e dificuldades de planejamento para o futuro, visto que eleva os custos de produção e consequentemente o valor final do produto.
Em nosso país há muita incidência solar e ventos fortes, existe a tendência da utilização de fontes alternativas de energia renovável como a solar e a eólica. A queima de biomassa também é uma alternativa, já que são renováveis e substituem os combustíveis derivados de petróleo e gás natural em outros tipos de geração de energia. As vantagens dessas fontes renováveis são os menores índices de poluição e diminuem a dependência em relação aos combustíveis fósseis.
Para garantir que sua empresa seja afetada minimamente pelos aumentos generalizados dos preços, é necessário estudar os mercados para garantir menores gasto, buscar fontes alternativas e renováveis de energia. Para isso, é necessário diminuir a dependência com as matrizes energéticas que podem sofrer com as mudanças climáticas e aumento dos preços de certos insumos.
Dar preferência para as fontes de energia renováveis e mais limpas irá te aproximar das políticas de ESG, que são conjuntos de padrões, critérios e boas práticas para medir as condutas ambientais, sociais e de governança e que podem ser um diferencial no mercado. Essas políticas representam o desenvolvimento sustentável e investimentos sociais com responsabilidade, com o objetivo de promover a melhor preservação do meio ambiente.
